Pular etapas na renegociação de dívidas rurais, como recorrer precipitadamente à Recuperação Judicial (RJ) antes de priorizar acordos bilaterais ou outras medidas estratégicas, coloca em risco a continuidade do produtor no mercado e pode expor diretamente seu patrimônio pessoal.
O alerta foi feito pelo sócio José Afonso Leirião Filho em sua participação no podcast Canela Amarela, do canal Notícias Agrícolas.
Segundo ele, ao adotar estratégias contenciosas de forma precoce, o produtor rural afasta parceiros históricos e assume o risco de ter seu plano de recuperação rejeitado pelos credores, o que pode resultar em uma falência.
“A pressa em acionar a Justiça muitas vezes faz com que o produtor ignore ferramentas intermediárias valiosas na frente negocial, como o standstill e a cautelar de mediação; a negociação historicamente sempre funcionou para solucionar eventos de crises no campo”, explica José Afonso.
Como o agronegócio hoje depende primordialmente do crédito privado – que exige governança, contabilidade regular e “a casa arrumada” -, um litígio desnecessário gera retração de mercado e encarece o financiamento das safras seguintes.
Além disso, por atuar majoritariamente como empresário individual, explica o sócio, a falência decorrente de uma RJ mal sucedida pode implicar diretamente os bens pessoais do produtor, eventualmente forçando sua saída definitiva do setor.
O podcast é comandado por Sarah Dare e contou com a participação de Lucas Boarin Pace, head da área de recovery da Ceres Investimentos.